25/06/2020

A bactéria sangrenta



Imagine que você esteja em um almoço de família, daqueles em que a comida está caprichada, sendo um dos pratos presente uma polenta bem suculenta. Mas imagine também que na primeira colherada você olhe para a polenta e ela está sangrando. Ora, isso parece bem macabro, vou te deixar assustado se disser que isso já aconteceu? Foi em uma aldeia italiana e a coloração foi de imediato associada a presenças malignas. Por outro lado, um padre, no século quadro, viu isso acontecer com uma hóstia e logo assimilou a aparição com uma presença divina. A imagem a seguir retrata um pouco do que esses indivíduos viram:


Pão sangrento – um milagre microbiano.

Bom, a ciência se colocou a questionar o fato sem associar ao sobrenatural, levando à provisória conclusão de que se tratava de um fungo. Mais tarde, com novos estudos, constatou-se que era uma bactéria, recebendo o nome de Serratia Marcescens.
O pigmento avermelhada era liberado pela bactéria em determinadas situações, esse pigmento é chamado de Prodigiosina. Ele é direntemente ligado ao desenvolvimento de doenças, sobre as quais veremos logo mais.


Mancha de Gram negativa.

A Serratia Marcescens é uma bactéria Gram-negativa, Anaeróbica facultativa e seu formato é o Bacilo, formato que garante boa locomoção. Além disso, vale salientar sua alta resistência em diversos aspectos, como resistência a altas temperaturas, à acidez, grande capacidade de adaptação genética e física, forte resistência a antibióticos e alta taxa de multiplicação. Esses fatores contribuem para uma rápida formação de biofilmes bem resistentes, ou seja, colônias, tanto em regiões biótica como em abióticas. As imagens a seguir demonstram como esse processo ocorre e as características citadas:


Formação do biofilme.


Serratia marcescens.                                                    

Essa bactéria pode ser encontrada em regiões úmidas ou soluções salinas. Uma forma eficiente de limpeza em banheiros, por exemplo, é a aplicação de uma solução de 0,5% de peróxido de hidrogênio na região. A imagem a seguir mostra a consequência de uma colônia em uma região muito submetida à umidade.


Colônia de Serratia marcescens em uma região muito submetida à umidade.
 
A Serratia marcescens também causa doenças de maneira muito variável. Essa variação depende da forma de contaminação. Por exemplo, se a contaminação for pelos olhos, o indivíduo pode vir a ter Conjuntivite, Ceratite ou infecção no canal lacrimal. Se a infecção ocorre por vias sanguíneas, o indivíduo pode desenvolver Endocartite, Bacteremia, Meningite, Osteomielite e Artrite. O tratamento envolve o uso de Cefotaxina e Gentamicina. Vale lembrar que a maior forma de transmissão dessa bactéria ocorre no ambiente hospitalar. A melhor forma de prevenção é a lavagem correta das mãos como demonstrado na imagem:


Passo a passo da lavagem correta das mãos para prevenção.

Por fim, agora que já vimos o “lado ruim” dessa bactéria, precisamos entender suas contribuições. Atualmente essa bactéria pode ser utilizada no tratamento de câncer, já que a sua toxidade se mostra maior em células cancerígenas, favorecendo a morte das mesmas. Além disso, muitas pesquisas foram realizadas de maneira eficiente graças a essa bactéria, pois o pigmento liberado por ela pode ser usado um rastreador.
Enfim, agora já sabemos as principais características da bactéria Serratia marcescens, as formas como esse organismo pode gerar doenças, suas formas de prevenção, uma parte de sua história e suas contribuições para nós.

Um comentário:

  1. Excelente a forma que abordaram o tema, deixando o leitor curioso para saber mais! Parabéns!
    Só faltou colocar o nome de vocês na publicação!

    ResponderExcluir